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Rudolf Steiner: magia a serviço da vida

O pensador Rudolf Steiner apontou novos caminhos aos médicos e pedagogos do Ocidente

Cadu Silveira

Em 1923, militantes nazistas incendiaram o Ghoeteanum, o centro de artes e pesquisas estabelecido por Rudolf Steiner na Suíça em 1913. Era mais um momento da escalada de violência contra o criador da Antroposofia, que procurou colocar a magia branca a serviço da vida dos homens e mulheres do seu tempo. A violência dos nazistas foi inútil. Mais de setenta anos depois, as ideias de Steiner continuam a inspirar pedagogos, médicos e outros pesquisadores, em vários países do Ocidente. 

Filho de um ferroviário austríaco, Rudolf Steiner nascem em 1861, na Hungria. Sua clarividência manifestou-se já na infância, assim como sua primeira paixão intelectual, a geometria. Mais tarde, Steiner procuraria aliar essas duas formas de conhecimento do mundo criando a “geometria espiritual”, uma síntese dos conhecimentos do mundo material e do mundo espiritual. 

Aos 23 anos, na Áustria, Steiner trabalhou como editor das obras do escritor e pensador alemão Wolfgang von Goethe (1749 – 1832) sobre ciência natural. Mais tarde, foi para Weimar, na Alemanha, onde participou de uma rigorosa edição das obras de Goethe. Também se tornou conhecido como escritor e conferencista. Afinal, em 1902, fundou a Seção Alemã da Sociedade Teosófica.

Desde o início, porém, houve diferenças de concepção entre Steiner e a teosofia ortodoxa. Para ele, a Sociedade Teosófica, centro de renovação espiritual criado pela mística russa Helena Blavatsky, dava ênfase excessiva ao orientalismo. Além disso, a teosofia propunha uma síntese da verdade de todas as religiões, enquanto para Steiner a aparição de Cristo era o evento central da história universal. Na opinião dele, o “evento do Gólgota”, a crucificação de Jesus, mudou a aura da Terra. “O que vive na Terra desde então?”, escreveu. “O próprio Logos que, através do Gólgota, tornou-se o Espírito da Terra”. 

Em 1913, Annie Besant, sucessora de Helena Blavatsky na direção da Sociedade Teosófica, anunciou ter descoberto uma nova encarnação de Cristo: um jovem hindu chamado Krishnamurti. Steiner não aceitou essa afirmação e foi expulso da Sociedade Teosófica. Logo em seguida, criou a Sociedade Antroposófica. 

Após a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), Steiner deixou claro que a Antroposofia devia ser um conjunto de conhecimentos destinados a beneficiar a vida das pessoas comuns. Surgiram desse modo as Escolas Waldorf, que põem em prática suas ideias pedagógicas e funcionam em vários países, entre eles o Brasil. 

Desenvolveram-se também uma medicina, uma farmacologia e uma agricultura antroposóficas, baseadas na tese de que existem, nos seres e nas substâncias, emanações de mundos imperceptíveis no plano da realidade física. A farmacopeia steineriana utiliza a técnica das grandes diluições de substâncias químicas e plantas para dinamizar seu efeito e procurar reduzir ao mínimo as potencialidades tóxicas dos medicamentos. A medicina antroposófica reafirma os princípios da medicina tradicional, mas também aponta para as relações entre as funções anímicas e os processos corpóreos e enfatiza a necessidade de uma postura psíquica saudável. E a agricultura biodinâmica, por sua vez, não usa pesticidas e procura regenerar o solo pela aplicação de substâncias extremamente diluídas em água. Após 1933, a agricultura biodinâmica foi suprimida na Alemanha, pelos nazistas, desde que na década de 1920 eram inimigos das ideias de Steiner e da sua magia branca. 

Até março de 1925, quando morreu, Steiner se dedicou a tornar a Sociedade Antroposófica tão transparente quanto possível, aberta a todas as pessoas espiritualmente motivadas.

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