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Quem foi Krishna?

Símbolo do amor perfeito e da consciência suprema, Krishna é uma das mais importantes divindades do panteão hindu. Seus devotos – tanto na Índia quanto em outros países, reunidos no movimento Hare Krishna – o consideram o Senhor Supremo e veem nele a manifestação encarnada de Vishnu, o deus hindu mantenedor do universo. 

Krishna é uma divindade bem mais recente do que Vishnu e os demais deuses indianos. E sua história mescla elementos mitológicos aos episódios de uma existência real. Sabe-se, por exemplo, que ele nasceu em Vrindávana, no sul da Índia, há cerca de 2 mil anos. Era filho de um aristocrata e de uma jovem bela e virtuosa. Na verdade, Krishna foi um avatar – literalmente, manifestação da Lei, ou seja, um ser humano predestinado a desempenhar uma missão divina na Terra – que já veio ao mundo dotado de consciência absoluta e ascendeu à condição de divindade. Muitos relatos sobre a vida de Krishna o mostram na companhia de pastoras (gopis). Sua favorita era Radha, a parceira perfeita, que teria abandonado o marido para se dedicar inteiramente ao amado. Na verdade, essa história possui um forte conteúdo simbólico: Radha representa o devoto, que abandona as ilusões do mundo material (representadas nesse mito pelo casamento e pelo marido) para se dedicar a Deus (Krishna, a encarnação do amor verdadeiro).

O que é Bhagavad-Gita?

O Bhagavad-Gita (A canção do Senhor) integra o Mahabharata (Grande Índia), em que a história da Índia é narrada a partir de atos heroicos e lições espirituais. O Bhagavad-Gita narra a batalha dos kurus (exército do mal) contra os pândavas (exército do bem). 

Parentes, os kurus e os pândavas descendiam de Vyasa, irmão do rei Vichitravíria, que morrera sem deixar filhos. Em obediência à tradição, Vyasa desposara as duas viúvas do irmão. Gerou, então, Dhritarashtra, o egoísta, e Pându, o elevado. Dhritarashtra, herdeiro do trono, era um soberano cruel. Por isso, enfrentava a oposição do irmão, a quem desterrou. Mas Pându e seus aliados retornaram a Índia e enfrentaram o exército real. Os pândavas (partidários de Pându) eram comandados pelo príncipe Arjuna. Acompanhado em seu carro de guerra por Krishna, a encarnação do Senhor Supremo, Arjuna relutava em atacar, pois não desejava ferir seus parentes kurus. Mas Krishna o incita à luta e lhe explica a necessidade de cumprir sua missão. 

Simbolicamente, a batalha do Bhagavad-Gita reproduz o conflito interior de todos os homens. Nós também nos dividimos entre os instintos (kurus) e as qualidades superiores (pândavas) e precisamos ser guerreiros fortes para superar a ilusão, tal como Arjuna, que, iluminado pelas palavras de Krishna, venceu seus inimigos numa guerra real.

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Quem foi Helena Blavatsky?

Helena Petrovna Blavatsky nasceu em 1831, na Rússia. De família aristocrática, recebeu educação esmerada. Aos vinte anos, quando estava em Londres com o pai, avistou na rua um mestre indiano que sempre a visitava nos seus sonhos: o mestre ascensionado El Morya, da Grande Fraternidade Branca (formada por seres que alcançaram a iluminação e ajudam a humanidade na sua evolução). No dia seguinte, a jovem russa o encontrou pessoalmente. El Morya apresentou-se a ela em carne e osso e lhe mostrou o caminho que ela deveria seguir: a criação de um movimento de renovação espiritual que sintetizasse as verdades contidas em cada religião. Esse movimento, mais tarde denominado teosofia, deveria divulgar as doutrinas dos mestres e fazer a ponte entre a espiritualidade do Ocidente e a do Oriente. Helena Blavatsky dedicou-se de corpo e alma a esse projeto, que conduziu, em 1875, à criação da Sociedade Teosófica. Outros momentos marcantes do seu apostolado foram a publicação dos livros Ísis sem véu e A doutrina secreta, de enorme repercussão. 

A última obra de Helena Blavatsky, o GlossárioTeosófico, foi publicada após sua morte, que ocorreu em 1891. Nesse momento, porém, a teosofia e a Sociedade Teosófica já estavam consolidadas, atraindo espíritos brilhantes como os de Rudolf Steiner, criador da Antroposofia, Gandhi, o impulsionador da independência da Índia, e o físico Albert Einstein.

O que é Teosofia?

Religião da Sabedoria, Sabedoria Divina, Sabedoria dos Deuses, Sabedoria Universal – o GlossárioTeosófico (publicado em 1892) oferece várias definições para a teosofia, o movimento de renovação espiritual criado em 1875 por Helena Blavatsky. Os princípios teosóficos constituem, para os adeptos do movimento, a síntese e a base de todas as religiões e filosofias. São verdades preservadas por iniciados ao longo dos milênios e difundidas no final do século 19, segundo o Glossário, para fazer frente “aos rápidos e perniciosos progressos do materialismo nas nações propulsoras da civilização mundial”. Para os teosofistas, o universo tem uma essência espiritual. O homem é um ser espiritual em processo de evolução que, por meio de exercícios físicos, mentais e espirituais, poderá ultrapassar o nível das aparências e se relacionar com a verdade fundamental, isto é, com a divindade ou espírito universal. Organizado em torno da Sociedade Teosófica, que tem sede em Madras, na Índia, o movimento teve rápida expansão sobretudo antes da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), influenciando muitos círculos esotéricos e ocultistas. Hoje, está organizado nos mais diversos países, entre eles o Brasil.

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Quem foi Eliphas Lévi?

Poucas pessoas influenciaram os rumos da magia moderna quanto o francês Alphonse Louis Constant (1810 – 1875), conhecido pelo pseudônimo de Eliphas Lévi. Seus livros tiveram grande impacto junto aos ocultistas do final do século 19, e algumas das ideias neles apresentadas, como as leis da magia, permanecem atuais. No entanto, Lévi participou de pouquíssimos rituais de magia na sua vida, e na maioria das vezes nada sentiu. O episódio mais bem-sucedido foi a invocação do espírito do mago grego Apolônio de Tiana, que lhe transmitiu ensinamentos. 
O encontro de Lévi com a magia foi precedido pelo seu envolvimento com a política radical e a literatura. Na verdade, seu talento como escritor foi um dos ingredientes do êxito dos seus livros, que conseguiram tornar a magia ritual atraente aos olhos do público. Em 1856 foi publicado o Dogma e Ritual da Alta Magia, no qual ele enfatiza a importância da vontade humana como agente da magia e formula a lei da correspondência: cada aspecto do macrocosmo, ou seja, do universo, tem um correspondente no microcosmo, isto é, no ser humano individual. Posteriormente foram publicados História da Magia (1860) e As Chaves dos Grandes Mistérios (1867), que consolidaram sua influência junto a sucessivas gerações de estudiosos do ocultismo, aí incluídos os rosacrucianos franceses, os membros da sociedade mágica britânica Golden Dawn e os fundadores da Teosofia.

O que é Magia?

A magia é, de acordo com o francês Eliphas Lévi, “a arte de transformar a realidade usando as forças da natureza”. Essa manipulação das forças da natureza pode ocorrer de diversas formas: pela utilização das cores e das formas geométricas, que abrangem vários elementos; pelo uso de plantas, cristais, pirâmides ou alimentos, relacionados ao elemento terra; pelo uso de líquidos em geral e de água de todo tipo (de mar, de rio, de cachoeira), referentes ao elemento água; pelo uso de orações, mantras, objetos ritualísticos e símbolos sagrados (pirâmides, mandalas, cruzes), relacionados ao elemento éter; pelo uso de espadas, perfumes e incensos de todos os aromas, relacionados ao elemento ar; pelo uso de velas de todos os tipos e cores, relacionadas ao elemento fogo; e pela utilização do poder sexual e da força emitida pelos astros. O mais poderoso instrumento de magia que existe, porém, é nosso próprio pensamento, que nos permite criar e transformar as situações. Eliphas Lévi também dividiu a magia em três tipos básicos: a magia branca, voltada para o bem individual e coletivo; a magia cinzenta, voltada apenas para o bem pessoal; e a magia negra, que inclui sacrifício de criaturas vivas e visa prejudicar outras pessoas. Outros estudiosos apontam a existência de mais dois tipos de magia: a magia azul, voltada para objetivos amorosos; e a magia sexual, que permite obter poderes sobrenaturais.

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Quem foi Edgar Cayce?

Vidente, curador, pioneiro da astrologia cármica, o norte-americano Edgar Cayce (1877 – 1945) foi um dos maiores sensitivos da atualidade. Era conhecido como “profeta adormecido”, pois suas faculdades paranormais se manifestavam quando ele estava dormindo ou em transe. Desde os 15 anos ouvia vozes que lhe diziam como curar suas próprias enfermidades. Após os 21 anos, passou a atender todo tipo de pacientes, muitos deles desenganados pela medicina tradicional. A Association for Research & Enlightenment, criada em 1936 para coletar e conservar todo o material relativo a Edgar Cayce, reúne cerca de 14 mil documentos referentes às suas curas e também às suas muitas profecias – entre elas as guerras mundiais de 1914 – 1918 e 1939 – 1945, a quebra da Bolsa de Valores de Nova York (1929) e a morte dos presidentes norte-americanos Roosevelt e Kennedy (em 1945 e 1963, respectivamente). 

Cayce costumava dizer que as previsões individuais podiam não se concretizar, pois estavam ligadas ao livre-arbítrio da pessoa. Estava certo, porém, do cumprimento das previsões em escala planetária. Segundo ele, 1998 será o ano das transformações geológicas que vão preparar o advento da Era de Aquário. Entre essas grandes mudanças, está o ressurgimento da Atlântida, precedido da emersão de terras no Atlântico e no Pacífico – que vem ocorrendo desde 1960, com formação de ilhas vulcânicas nesses oceanos. 

O que é Astrologia Cármica?

A partir de 1923, quando já era famoso por suas curas e previsões, o médium norte-americano Edgar Cayce passou a investigar, em estado de transe, suas existências anteriores. Descobriu que já havia sido sumo-sacerdote no Egito dos faraós e soldado inglês durante a colonização dos Estados Unidos, entre outras encarnações. No mesmo período, sempre em estado de transe, o “profeta adormecido” (como era conhecido) passou a ensinar como fazer a análise do mapa astral de um indivíduo a partir da teoria do carma e da reencarnação. Com base em seus ensinamentos, surgiu nos anos 1930 uma nova vertente da astrologia ocidental: a astrologia cármica. 

Reunidos na obra Interpretações de Edgar Cayce, os princípios da astrologia cármica mostram que a posição de alguns planetas e outros elementos de mapa astral de uma pessoa apontam para valores e as atitudes que ela traz como herança de outras vidas, e também para os aspectos que ela precisa desenvolver em sua existência atual. Desse modo, se configura uma forma de interpretação astrológica que permite um nível maior de autoconhecimento e também a compreensão do motivo pelo qual alguns fatores se repetem com tanta frequência na vida de alguém. A partir da percepção e da compreensão desses fatores e desafios, podemos usar o livre-arbítrio para assumir, ou não, as tarefas trazidas de existências anteriores e que se encontram registradas em nosso mapa astral.

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Quem foi Conde Saint Germain?

Saint Germain é um mestre ascensionado da Grande Fraternidade Branca. Rege o raio violeta, cor associada à transmutação, ao amor universal e à energia da Nova Era. 

Na sua última encarnação, Saint Germain foi um conde italiano, nascido na cidade de San Germano no ano de 1710. Estudioso de magia e de alquimia, ele teria descoberto o elixir da longa vida – e não teria morrido em 1779, como se supõe, mas sim se retirado para outra dimensão, habitada por seres evoluídos e iluminados.  Essa versão justifica suas aparições, 113 anos após sua suposta morte, em cidades como Paris e Frankfurt.

Durante sua vida terrena, Saint Germain realizou prodígios admiráveis: era capaz, por exemplo, de fazer aparecer diamantes, que ele distribuía entre os amigos e as pessoas carentes. Muito inteligente, falava seis idiomas, tocava cerca de dez instrumentos musicais e conhecia profundamente as leis da química, da física e da matemática. 

Mas todos esses múltiplos talentos não foram conquistados numa única vida. Em encarnações anteriores, Saint Germain fora São José (pai de Jesus), o piedoso Santo Albano, o pintor Leonardo da Vinci, o escritor William Shakespeare e o navegador Cristóvão Colombo. E, como conde de Saint Germain, veio apenas completar sua missão de aperfeiçoamento espiritual, até atingir a iluminação e elevar-se à condição de mestre ascensionado.

O que é a Grande Fraternidade Branca?

A Grande Fraternidade Branca é a associação dos seres de luz que governam o universo. É “branca” porque o coração de Deus – ou do princípio criador – emana uma luz branca que se divide em sete raios coloridos: azul, dourado, rosa, pérola, verde, púrpura e violeta. 

Cada um desses raios é governado por um ser de luz – alguém que viveu na Terra e que, depois de enfrentar os obstáculos comuns a todos os seres humanos, alcançou a iluminação espiritual e atingiu outro estágio de evolução ao abandonar a vida terrena, tornando-se um mestre ascensionado. Assim, o raio azul está associado a El Morya, senhor da fé, que foi um santo da Índia e se chamava El Morya Khan; o raio dourado está associado a Lanto, senhor da sabedoria, que foi imperador da China e um grande sábio; o raio rosa está associado a Kuthumi, senhor da compaixão e do amor, que foi São Francisco de Assis; o raio pérola está associado a Serapis Bey, senhor da pureza, que foi o faraó egípcio Amenhotep 3º; o raio verde está associado a Hilarion, senhor da verdade, que foi o apóstolo Paulo; o raio púrpura está associado a Nada, senhora da paz, que foi sacerdotisa do Templo do Amor no extinto continente de Atlântida; e o raio violeta está associado a Saint Germain, senhor da transmutação, que foi São José, Santo Albano, Cristóvão Colombo e um alquimista, o conde de Saint Germain, que viveu na Itália do século 18.

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Quem foi Carl Gustav Jung?

Carl Gustav Jung foi criador da psicologia analítica, método de análise psicológica voltado para o autoconhecimento.  Ele nasceu em 1875, na cidade de Kesswill, na Suíça, de onde saiu aos 20 anos para estudar medicina na Universidade da Basiléia. Nessa época, o psicanalista austríaco Sigmund Freud estava no auge das suas descobertas sobre a mente humana, e seus estudos atraíram a atenção de Jung, que logo se tornou seu discípulo. Mas o jovem psicanalista suíço não se contentou com as lições recebidas do mestre e prosseguiu seus estudos e suas pesquisas. Em 1913, criou a psicologia analítica, o que lhe valeu reconhecimento mundial, mas também causou rompimento definitivo com Freud. 

O campo de estudos de Jung se expandiu para além da psicanálise ao englobar assunto como os símbolos mágicos, os oráculos, os fenômenos aparentemente inexplicáveis, a intuição e as emoções humanas. Tudo isso forma um conjunto definido por ele como o inconsciente coletivo. A psicologia analítica, assim, vê o homem como um ser completo e inserido na sociedade. 

Jung escreveu vários livros, entre eles Símbolos da Libido, Tipos Psicológicos, Psicologia e Religião, Psicologia e Alquimia, Sincronicidade, Memórias, Sonhos, Reflexões, Um Mito Modernos (sobre discos voadores) e O Homem e seus Símbolos. Morreu em 1961, aos 86 anos de idade, em Zurique. Até hoje, suas ideias auxiliam os estudiosos de oráculos e religiões a compreender melhor a mente humana

O que é Arquétipo?

Arquétipo é uma imagem que existe no inconsciente de todos os homens. Por exemplo: para qualquer ser humano, de qualquer lugar, o arquétipo do herói corresponde à imagem de um homem forte, invencível. E, como no nosso inconsciente existe esse arquétipo, quando pensamos num herói o num ato heroico, é essa imagem que vem à nossa mente consciente. Já o arquétipo da mãe está associado à imagem de uma mulher suave, protetora, forte e sensível. Assim, quando criamos uma personagem que é mãe, tendemos a descrever uma mulher com essas características. Ou, quando vemos alguém que corresponde a esse perfil, dizemos que se trata de uma pessoa maternal. De forma inconsciente, os arquétipos guiam o nosso comportamento social. 

Carl Gustav Jung desenvolveu estudos profundos sobre vários oráculos – como o tarô e o I Ching – e constatou que todos possuíam elementos comuns, identificáveis entre povos de tempos e lugares diferentes. A carta Os Enamorados do tarô, por exemplo, é associada a mensagens de amor e escolha tanto por um esquimó do século 18 quanto para um brasileiro do século 20, pois ela traz em si uma imagem essencial presente no inconsciente de ambos. Da mesma forma, as divindades de várias culturas correspondem a arquétipos. É por isso que, muitas vezes, povos totalmente diferentes cultuam deuses tão parecidos.

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Quem foi Allan Kardec?

Em 1855, o francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, nascido em 1804, era um educador respeitado, autor de livros sobre gramática, matemática e reforma educacional. Nesse ano, porém, ele assistiu uma sessão de espiritismo, com mesas que se moviam e transmitiam, através das batidas, mensagens – em geral bem simples – de espíritos desencarnados. Rivail, que dizia “não acreditar em fantasmas”, percebeu que havia algo de sério por trás da aparente trivialidade. Em suas palavras, “era como que a revelação de uma nova lei, que decidi investigar de modo completo”. 

Dois anos depois, ele publicou O Livro dos Espíritos, assinando-o com o nome que teria recebido numa das suas vidas anteriores: Allan Kardec. Continha as respostas dos espíritos, captadas por diversos métodos, a mais de quinhentas perguntas suas. Era o primeiro fruto de seus esforços para a codificação do espiritismo, apresentado como uma filosofia racional, obediente a leis naturais como a da sucessão de encarnações. Mais tarde, Kardec escreveu outras obras – entre elas O Livro dos Médiuns e O Evangelho Segundo o Espiritismo – e criou a Sociedade Parisiense dos Estudos Espíritas, que orientou o movimento espírita em todo o mundo. Quando Kardec morreu, em 1869, o espiritismo já era uma doutrina firmemente estabelecida, com grande número de adeptos. 

O que é o Espiritismo?

Chama-se espiritismo à doutrina cristã codificada por Allan Kardec entre 1855 e 1869, a partir de mensagens transmitidas por espíritos e recebidas por médiuns, e que transmitiu a milhões de pessoas da Europa e das Américas ensinamentos sobre a vida após a morte. Em seus livros, Kardec procurou apresentar o espiritismo como uma filosofia racional, uma ciência baseada em leis naturais, as quais regem o contato entre o mundo dos homens e o mundo dos espíritos. Por exemplo, para os espíritas, a evolução espiritual se fundamenta na lei da sucessão de encarnações: vamos nos aperfeiçoando no decorrer de milhares de vidas, até nosso espírito alcançar a iluminação. Outra lei importante é a do carma, ou lei da ação e reação, segundo a qual pagamos, na atual existência ou em vidas futuras, pelos atos nocivos cometidos na presente encarnação ou em encarnações anteriores. Um suicida, por exemplo, deverá reencarnar para cumprir seu carma até o fim.

Hoje, a lei do carma e as demais concepções espíritas são parcial ou totalmente aceitas por milhões de pessoas. A doutrina antes vista como uma superstição baseada na fraude é agora associada aos Evangelhos do Novo Testamento e ao cumprimento daquela que Kardec designava como “a primeira de suas leis, a lei da caridade universal”. E serve de farol para seres iluminados como o brasileiro Chico Xavier.

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Rudolf Steiner: magia a serviço da vida

O pensador Rudolf Steiner apontou novos caminhos aos médicos e pedagogos do Ocidente

Cadu Silveira

Em 1923, militantes nazistas incendiaram o Ghoeteanum, o centro de artes e pesquisas estabelecido por Rudolf Steiner na Suíça em 1913. Era mais um momento da escalada de violência contra o criador da Antroposofia, que procurou colocar a magia branca a serviço da vida dos homens e mulheres do seu tempo. A violência dos nazistas foi inútil. Mais de setenta anos depois, as ideias de Steiner continuam a inspirar pedagogos, médicos e outros pesquisadores, em vários países do Ocidente. 

Filho de um ferroviário austríaco, Rudolf Steiner nascem em 1861, na Hungria. Sua clarividência manifestou-se já na infância, assim como sua primeira paixão intelectual, a geometria. Mais tarde, Steiner procuraria aliar essas duas formas de conhecimento do mundo criando a “geometria espiritual”, uma síntese dos conhecimentos do mundo material e do mundo espiritual. 

Aos 23 anos, na Áustria, Steiner trabalhou como editor das obras do escritor e pensador alemão Wolfgang von Goethe (1749 – 1832) sobre ciência natural. Mais tarde, foi para Weimar, na Alemanha, onde participou de uma rigorosa edição das obras de Goethe. Também se tornou conhecido como escritor e conferencista. Afinal, em 1902, fundou a Seção Alemã da Sociedade Teosófica.

Desde o início, porém, houve diferenças de concepção entre Steiner e a teosofia ortodoxa. Para ele, a Sociedade Teosófica, centro de renovação espiritual criado pela mística russa Helena Blavatsky, dava ênfase excessiva ao orientalismo. Além disso, a teosofia propunha uma síntese da verdade de todas as religiões, enquanto para Steiner a aparição de Cristo era o evento central da história universal. Na opinião dele, o “evento do Gólgota”, a crucificação de Jesus, mudou a aura da Terra. “O que vive na Terra desde então?”, escreveu. “O próprio Logos que, através do Gólgota, tornou-se o Espírito da Terra”. 

Em 1913, Annie Besant, sucessora de Helena Blavatsky na direção da Sociedade Teosófica, anunciou ter descoberto uma nova encarnação de Cristo: um jovem hindu chamado Krishnamurti. Steiner não aceitou essa afirmação e foi expulso da Sociedade Teosófica. Logo em seguida, criou a Sociedade Antroposófica. 

Após a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), Steiner deixou claro que a Antroposofia devia ser um conjunto de conhecimentos destinados a beneficiar a vida das pessoas comuns. Surgiram desse modo as Escolas Waldorf, que põem em prática suas ideias pedagógicas e funcionam em vários países, entre eles o Brasil. 

Desenvolveram-se também uma medicina, uma farmacologia e uma agricultura antroposóficas, baseadas na tese de que existem, nos seres e nas substâncias, emanações de mundos imperceptíveis no plano da realidade física. A farmacopeia steineriana utiliza a técnica das grandes diluições de substâncias químicas e plantas para dinamizar seu efeito e procurar reduzir ao mínimo as potencialidades tóxicas dos medicamentos. A medicina antroposófica reafirma os princípios da medicina tradicional, mas também aponta para as relações entre as funções anímicas e os processos corpóreos e enfatiza a necessidade de uma postura psíquica saudável. E a agricultura biodinâmica, por sua vez, não usa pesticidas e procura regenerar o solo pela aplicação de substâncias extremamente diluídas em água. Após 1933, a agricultura biodinâmica foi suprimida na Alemanha, pelos nazistas, desde que na década de 1920 eram inimigos das ideias de Steiner e da sua magia branca. 

Até março de 1925, quando morreu, Steiner se dedicou a tornar a Sociedade Antroposófica tão transparente quanto possível, aberta a todas as pessoas espiritualmente motivadas.

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